Com mais de 35 mil quilômetros de vias navegáveis interiores, o Brasil amplia as oportunidades para o turismo náutico e para o desenvolvimento econômico de cidades localizadas longe do litoral. O avanço dos investimentos em infraestrutura e o crescimento do mercado de embarcações reforçam o potencial do setor em rios, lagos e represas de diversas regiões do país.
Embora seja conhecido por sua extensa faixa litorânea de 8.500 quilômetros, o Brasil também reúne uma das maiores redes de navegação interior do mundo. Segundo o Ministério do Turismo, são cerca de 35 mil quilômetros de vias navegáveis e mais de 9,2 mil quilômetros de margens de reservatórios de água doce, que podem ser utilizados para atividades de lazer, esportes e turismo.
O potencial desse mercado já começa a ser explorado por estados que investem na ampliação da infraestrutura voltada à navegação recreativa. Em São Paulo, por exemplo, o governo estadual inaugurou 12 estruturas náuticas de uso público nos últimos três anos, às margens dos rios Tietê e Paraná e em áreas de represas. Os investimentos somam R$ 16 milhões e beneficiam uma rede formada por 99 municípios aptos a receber turistas em praias de água doce e regiões fluviais.
No Paraná, o cenário também apresenta oportunidades de crescimento. Mais de mil quilômetros de rios atravessam as regiões Norte, Noroeste e Oeste do estado, mas o turismo náutico ainda responde por apenas 2,6% dos segmentos turísticos paranaenses. O percentual é considerado baixo diante do potencial de geração de renda, empregos e movimentação econômica para os municípios localizados às margens dos rios.
O crescimento desse mercado impulsiona a demanda por embarcações voltadas ao lazer e ao turismo. Entre os modelos que ganham espaço estão os pontoons, conhecidos pela ampla área útil, estabilidade e versatilidade. Essas embarcações podem ser utilizadas para passeios familiares, atividades turísticas, pesca, confraternizações e até esportes náuticos.
Nos Estados Unidos, onde o segmento está mais consolidado, os pontoons responderam por 33,6% das vendas de barcos novos a motor em 2025, liderando o mercado em número de unidades comercializadas, segundo a National Marine Manufacturers Association (NMMA).
Três novos modelos
De olho nessa tendência, a fabricante paranaense Fluvimar apresentará três novos modelos durante o São Paulo Boat Show 2026, considerado o maior evento náutico da América Latina.
Segundo Raquel Oliveira, CEO da empresa, o diferencial dessa categoria está na experiência proporcionada aos passageiros.
“O pontoon tem uma característica que muda a experiência a bordo. Ele permite que as pessoas não fiquem apenas sentadas durante a navegação. Existe espaço para circular, conversar, pescar, tomar banho de sol e reunir mais pessoas. Isso amplia muito as possibilidades de uso da embarcação”, afirma.
Entre os lançamentos está o F-Boat 9500, projetado para acomodar até 25 passageiros, com área gourmet e configuração voltada ao lazer e ao turismo. O F-Boat 9500 Duplo Deck acrescenta um segundo pavimento e escorregador, ampliando os espaços destinados à convivência. Já o F-Boat 9500 X aposta em uma proposta mais esportiva, com foco em desempenho e navegação dinâmica.
De acordo com a executiva, os novos projetos refletem mudanças observadas no comportamento do consumidor, que busca embarcações capazes de oferecer diferentes experiências sobre a água.
O desenvolvimento do turismo náutico, porém, depende também da expansão da infraestrutura disponível. Para apoiar esse crescimento, o Ministério do Turismo realiza levantamentos sobre marinas, píeres e rampas náuticas em diversas regiões do país. No Paraná, um conjunto de obras estimado em cerca de R$ 250 milhões prevê a implantação de aproximadamente 125 quilômetros de estradas, além da construção de 15 rampas náuticas e 15 estruturas flutuantes na região do Rio Paraná.
Para Raquel Oliveira, a evolução do setor está diretamente ligada ao melhor aproveitamento dos ambientes aquáticos do interior do país e à diversificação das experiências oferecidas aos turistas.
“São projetos com propostas diferentes, mas que partem da mesma lógica de aproveitar melhor a embarcação. É uma mudança que já está acontecendo no mercado e que o Boat Show ajuda a tornar mais visível”, conclui.
A expansão da infraestrutura e o aumento do interesse por atividades recreativas em rios, lagos e represas indicam que o turismo náutico tem potencial para se consolidar como um dos segmentos mais promissores do turismo brasileiro nos próximos anos, especialmente em municípios do interior que buscam novas alternativas de desenvolvimento econômico.


