O turismo em Unidades de Conservação federais no Brasil gerou R$ 40,7 bilhões para a economia em 2025, segundo estudo apresentado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) durante o 10º Salão do Turismo. A pesquisa integra o Programa Natureza com as Pessoas, desenvolvido em parceria com o Ministério do Turismo.
Os dados mostram ainda que, a cada R$ 1 investido nessas áreas protegidas, o retorno econômico chega a R$ 15,60, evidenciando o impacto das atividades turísticas realizadas nesses espaços. O levantamento foi apresentado no evento realizado entre os dias 7 e 9 de maio, em Fortaleza, que sediou pela primeira vez o Salão do Turismo na região Nordeste.
A análise foi conduzida em oito Unidades de Conservação federais, com aplicação de mais de 2 mil questionários, e considerou os gastos deixados pelos visitantes nos municípios onde essas áreas estão localizadas. O estudo diferencia avaliação financeira e econômica, destacando que cada uma delas oferece leituras distintas sobre o impacto do turismo.
Unidades de conservação ganham protagonismo no turismo brasileiro
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, avaliou que os resultados reforçam o potencial do turismo de natureza no país, destacando o papel estratégico das unidades de conservação como destinos turísticos. Ele também ressaltou que as visitas contribuem para a valorização do patrimônio natural e para o fortalecimento da consciência ambiental.
De acordo com a socióloga e diretora de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do ICMBio, Iara Vasco, a pesquisa ainda não foi publicada oficialmente e faz parte de uma iniciativa iniciada no Salão do Turismo de 2024. Ela explicou que o programa tem ampliado a compreensão sobre o turismo de base comunitária em reservas extrativistas.
Segundo Iara Vasco, essa modalidade de turismo vai além do uso sustentável dos recursos naturais e passa a ser vista também como um fator de desenvolvimento econômico, com impacto em diferentes cadeias produtivas associadas às comunidades locais.
Metodologia considera impacto econômico nos municípios
O pesquisador e presidente do Grupo de Turismo em Áreas Protegidas da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), Thiago Beraldo, afirmou que a metodologia do estudo permite comparar diferentes formas de avaliação das unidades de conservação. Ele destacou que a análise econômica considera todo o recurso que o turista movimenta na economia dos municípios onde essas áreas estão inseridas.
Os resultados reforçam a expansão do turismo em áreas protegidas como atividade relevante para a economia brasileira, com efeitos que vão além da arrecadação direta, alcançando também os territórios e comunidades que convivem com as unidades de conservação.
