Precisando desacelerar? Turismo de base local pode ser a resposta

Somos predestinados à extinção, se o poder de transformação da ciência e da tecnologia, for utilizado para ampliar a escassez, aumentar a desigualdade social e destruir a natureza.

A ciência é uma fonte de informação essencial para a tecnologia e pode ser usada para o bem ou para o mal, como qualquer atividade humana. Podemos até afirmar que ciência e tecnologia são manifestações da criatividade humana, na busca de conhecimentos sobre algo, na organização do trabalho e na satisfação das necessidades sociais, econômicas e financeiras.

Vamos continuar acreditando nas boas intenções da ciência e da tecnologia, mas só isso não é suficiente para garantir o adequado e justo desenvolvimento socioambiental. Quanto mais consumimos produtos tecnológicos, mais incentivamos a produção de conhecimentos científicos para novas invenções tecnológicas, que ampliam o consumo de produtos e serviços, o que em síntese, não se harmoniza com a sabedoria humana.

Valorizar mais a tecnologia do que a nossa singularidade, prejudica o nosso bem-estar, gera desequilíbrio social, concentração de poder social e destruição ambiental. Podemos avaliar os avanços tecnológicos como um desafio muito sério e por isso, devemos tomar consciência para encontrar o equilíbrio necessário, que não nos distancie do nosso mundo íntimo e singular.

Nesse contexto, convivemos com a mais intensa desigualdade da história da humanidade e a mais predominante concentração de poder social. Em parte, somos todos responsáveis por isso, porque estamos ignorando os riscos que as novas tecnologias representam para o mundo. Poucas pessoas estão preparadas para essa realidade, em que as ameaças crescem mais rapidamente do que as oportunidades.

É importante perceber o quanto os pequenos negócios têm contribuído para um mundo mais consciente, abundante em valores que contribuem para o bem-estar individual e coletivo, exatamente o contrário de outras organizações que se baseiam na escassez de recursos, gerando mais violência, exclusão social, degradação de patrimônios histórico e ambiental – mangues destruídos, rios e mares poluídos, extinção da fauna e flora – ou seja, ignorando os bens livres e a perda da capacidade de vida no planeta Terra.

Voltar ao simples, dormir bem, ter uma boa alimentação, fazer atividade física, relaxamento e meditação, pode ser a melhor forma de buscar o equilíbrio, para uma vida saudável e amenizar os problemas climáticos, que estão cada vez mais preocupantes.

O turismo de base local, na Paraíba, com foco nas economias criativa e colaborativa, tem sido um bom exemplo, que inspira os turistas a vivenciar experiências criativas e sustentáveis, com mais cultura autêntica e singular, capaz de gerar qualidade de vida e consciência ecológica. Proporciona aos turistas a oportunidade de partilhar de uma vida comunitária ou de um pequeno negócio, simples e eficiente, que produz em pequena escala, com muita criatividade e poucos recursos financeiros, respeitando a cultura local e a natureza.

Estou falando da Rota das Flores no Brejo paraibano, a Rota do Couro em Cabaceiras – PB, os Encantos do Rio Paraíba, unindo Cabedelo a Forte Velho, em Santa Rita – PB, Rota Cultural Caminhos da Tradição em João Pessoa, Rota Cultural do Cariri paraibano, o Roteiro PARAÍBE-SE, que integra empresas e comunidades sustentáveis de Campina Grande, Areia, Bananeiras, Boqueirão e Cabaceiras, uma iniciativa do governo do Estado da Paraíba e parceiros.

Os exemplos de turismo de base local que aqui destaco, não invalidam os avanços positivos da ciência e tecnologia. Apenas cabe a nós, sociedade e turistas, refletir e selecionar as boas invenções e ter atitudes individual e coletiva que contribuam para uma forma de viver mais simples e consciente, que favoreça a melhoria dos problemas climáticos e socioambientais.

Na verdade, não devemos perder a nossa essência, mas repensar como a ciência e a tecnologia estão influenciando nosso estilo de vida, na busca pelo conforto, comodidade e menor esforço.

O turismo de base local evidencia a qualidade de vida do ecossistema, respeitando a natureza e contribuindo para o desenvolvimento local sustentável, com o uso adequado da tecnologia.

Texto por: Regina Amorim, gestora de turismo e economia criativa do Sebrae-PB

Foto destaque por: Divulgação

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